Mexeis-vos e
remexeis-vos na inocência de quem está ciente de que acontece no envolvente e
tocais e puxais e empurrais e sonorizais e ouvis e engolis e cuspis e olhais e
esqueceis do que se lembram.
Sois
uma fábrica de produção em massa de toda a merda que sabeis fazer e acumular no
vosso encéfalo.
E
correis ofegantes na constante tentativa de fuga de ser e crer na luz que vos
faz sombra. E expressais ânimo sobre o desânimo e desilusão na ilusão. E
correis mais um pouco, como cães aos quais lhes foi batido o pé.
E
tapais e descobris e vendais e desvendais todo e qualquer mistério por detrás
de tudo e nada para fugirdes mais um pouco do que foram, são e serão, durante
qualquer percurso existido, existente e a existir.
E
esfriais no quente quando vos cobrem de calor gélido, com mantas e cobertores
feitos de sonhos que supostamente aqueceriam o ínfimo mental vosso mas que foi
mais que menos de escuridão.
E
a sombra assombra e pena-vos e faz-vos correr ainda mais, como nunca alguma
presa havia feito do caçador de tiro pronto.
E
escorregais em terreno seco com os pés humedecidos da árdua e cansativa fuga
que vós próprios criastes. Como se de uma colina tivessem, vós próprios,
empurrado um pedregulho que vos persegue até ao fundo, insistindo em não
surgir.
E
esquematizais e calculais a natureza que vos fez e que se arrepende de vos ter
feito os carrascos sedentos de sangue que sois, de cravo ao peito e lâmina na
mão.
E
estais prontos para tudo o que venha testar a vossa dualidade que assenta no
bom e no mau, naquilo que não sabeis distinguir nem tão pouco equilibrar.
E
mirais.
E
estranhais.
E
entranhais.
E
vejo-me.
Tiago José Chaves
31/10/2012
10:25
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