Será que vais lá estar
enquanto eu esperar por ti?
Será que
vou conseguir seguir o caminho sem tu teres saído?
Irei conseguir
seguir, mesmo tendo tu já saído?
Esse sítio que te prende,
que te põe rédeas à tua liberdade e sanidade, que te rouba a ti mesma e que te
faz ser leviana quanto aos teus actos.
Eu sempre
aqui estive, desde o dia em que te conheci. Sempre estive certo, desde que te
ouvi, desde que te pude contar como sou e como te vejo, desde que houve
compreensão quanto à possibilidade daquilo que somos, que era de ti que eu
fugia por saber que um dia me ias parar e colocar dentro de uma caixa de cartão
perfurada, que nem cachorro abandonado, e que resistência eu não ofereceria, tal
o agrado de ter sentir a tua mão leve tocar-me, empoeirado, imundo,
constantemente, no corpo e resto.
Tento controlar
a respiração de cada vez que ouço passos na minha direcção, de cada vez que o
ar se movimenta neste sítio morto, onde nem almas penadas se atrevem a entrar.
Dentro de
mim.
Em mim.
Dentro de
ti.
Em ti.
Cada canto
que preenche a minha cápsula de memórias e remorsos e sentimentos sentidos,
alimentados pela cruel esperança de quem aguarda por algo ou alguém que é sabido
nem sombra se vir, renasce. Em vão.
Doces palavras.
Doces cantos de lábios que me invadem o íntimo sem deixarem ponta restante onde
me possa guiar para o lugar onde me deixei.
Crueldade e
frieza possuis para em tal forma me teres deixado.
Bela.
Pura.
Inalcançável.
Choro cada
lágrima armazenada pelos cantos dos meus olhos por te ver e não estares aqui.
Canto até
que doa, para nada e ninguém, esperando que oiças.
Alimento a
minha sabedoria sem que saibas, para que um dia possas saber.
Arrasto a
caneta no papel para que leias e vejas e sintas e chores e rias e corras e
grites e saltes e fujas e agarres e soltes e pares. Duma vez, que pares.
Mas
continua.
Mas vê-me.
Mas ouve-me.
Mas aprende-me.
Mas lê-me.
Sente-me.
Chora-me.
Ri-me.
Corre-me.
Grita-me.
Salta-me.
Foge-me.
Agarra-me.
Solta-me.
Pára-me.
Tiago José Chaves
28/10/2012
2:00
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