Meras questões cujas
respostas sei que são cada vez mais de uma subjectividade tão extrema como
qualquer outra tentativa de resposta que se tente alcançar.
A tudo o que estamos
expostos, por tudo, isso que exerce em nós uma leveza de pressão incalculável,
docemente nos empurrando para baixo e subjugando-nos e submetendo-nos a
tudo e todos os outros, deixando-nos esculpir e polir sem fim,… somos quem
somos. Sou quem conseguem ver. Sois quem sois. Sois quem vos vejo.
Somos?
Todo o resto não passa
de um mero enfeite para que as atenções se foquem em vós, nem que seja por uns
meros segundos, infinitamente longos. Todo o olhar que não vos consiga evitar
submeteu-se a uma análise que tem tanto de longamente indiferente quanto de
breve incómodo.
E ainda assim olhas.
Admira-me como sois
capazes de habitar nessa constante submissão que é o olhar ligeiro de pessoas
que atendem a uma categoria, uma posição, um estatuto, breve e certamente
irrelevante a longo prazo para a vossa subsistência mental, tornando-se tanto
quanto todos nós.
Ainda assim,
hierarquizais.
Gostais de colocar nos
diferentes degraus da longa escadaria que guia, a vós, todos os intervenientes
no tempo que vos é cedido. Cães de guarda tendes, em todos e cada degrau dessa
mesma honorável subida de nível, para que ninguém trespasse o limite que lhes
diz respeito.
Sois impenetráveis,
inalcançáveis, imensuráveis, impensáveis.
Sois foleiros.
Julgais pura e única
essa vossa noção de conquista que os outros devem igualmente possuir para
quebrar a castidade encefálica que tanto prezais e, aquando o seu alcance, nada
mais que um vazio é compreendido. Em vós.
Acordo com conquistas
por conquistar.
Deito-me assim.
A noção infindável de
que não terei, assim como vós não tereis, algo realmente palpável. Mas vamos
apalpando, por aí, conforme nos pudermos agachar e por quanto tempo os nossos
olhos puderem cerrar-se a tudo isso que nos constitui.
Sois tão perfeitos.
Tiago José Chaves
29/10/2012
14:35
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