Sobe.
Sobe só mais um pouco.
Estás cada vez mais alto.
Mais perto.
Que sabor tão distinguível
do comum mediano nível. Tudo o que ficou para trás são apenas histórias a
contar. Que bravos sois!
Ainda mais alto chegais!
Tudo o que deixaram para
trás será esquecido. Tudo o que foram, a forma como conseguiram tornar-se no
que são, aquilo que os outros eram e passaram a ser para vós, as prioridades e
a relevância delas: Secundárias. De pouco apreço vosso. De fácil esquecimento.
Falta-vos a essência do que vos
levou a escalar onde vos encontrais: Compreensão.
Já foi tempo de se
esforçarem para compreender o que vos rodeia. Já não há tempo para
compreenderem o que quer que seja. Ninguém necessita da vossa compreensão.
Quão medíocres sois. Quão
ridículos pareceis, nesse cadeirão confortável no qual vos sentais hoje, de
glórias imundas, de submissão forçada aos mais fracos.
Falais vós de necessidade? É
necessário?
Ditais ordens, formulais
regras e organizações. Falta de controlo: algo que não vos falta. As massas só
vos comovem quando guiadas pela vossa liderança.
Estais mais alto que o que
julgais!
Fomos nós que aí vos
pusemos. E aí vos deixámos, como loiça cara no móvel, exposta aos olhos de
todos.
Temos tanto de podre como
vós. Somos cada vez mais ocos. O nosso vazio foi feito por todos vós, que
comandais o excesso. Que exerceis pressão para aprendizagem. De novo,
superficial. De novo, sinto-nos como marionetas.
Somos não mais que farrapos
torcidos e amarrotados de tanto nos ser sugado o suor. A nossa passagem, as
nossas pegadas, as nossas histórias: irrelevantes. Tornam-se cada vez mais
facilmente consumíveis. Imediato reconhecimento e fácil esquecimento.
Não tenho medo. Tenho pena.
Vós que estais alto, que
estiveram onde me encontro, não se lembram?
Já não anseio a vossa queda.
Isso consumia-me tempo.
Já não conto com ascensões.
Não vale de nada. Cabemos todos
aqui, de uma forma ou de outra. Acabaremos da mesma forma.
Que vos batam o pé. Que o
tempo vos encontre.
Fujam, fujam!
Tiago José Chaves
17/10/2012
20:14
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