Às
vezes a luz parece demasiado ténue. Todos os pontos que intersecta desvanecem
secretamente. Diluem-se. Tornam-se pontos mortos.
Aqui,
onde parece que estamos, a luz é demasiado ténue. É assustadoramente quieta,
imutável.
No
momento que nos fiz parar, aqui, pouco será aquilo com que contamos. É toda a
luz demasiado ténue. São todos os pontos demasiado desvanecidos.
A quietude
não é incómoda, como julgava. É simplesmente quieta, como uma ausência. Qual ausência
poderia ser incómoda se não fosse notada?
Estamos
precisamente aqui, onde ficámos. Onde o tempo deixa de desempenhar qualquer
tipo de papel. Onde o largou por lhe ter sido ingratamente atribuído. Não
podemos ser ingratos por podermos parar. Por sermos os únicos a reconhecer a
ingratidão. Por sermos criadores do tempo.
Aqui,
a quietude chegou em boa hora. Como um abraço dum desconhecido, teimoso, a
querer mostrar-nos que lhe somos gratos. Que nos é ingrato por criarmos tal
monstro.
Aqui
é tudo sereno. Mas a luz continua ténue e os pontos ainda se desvanecem nela.
Compreendemos
deveras onde estamos. Sabemos onde parámos e porque o fizemos. Sabemos da
gratidão que nos é mútua e que o ingrato do tempo nos levou algo.
Quem
ousa mexer-se aqui?
Tiago
José Chaves
13/03/2015
01:28