Permitam-me que desça bem
baixo.
Que me
iguale a vós. Que me nivele, fisicamente, a vós.
Permitam-me,
sem que me seja concedida autorização, usar termos que vos ressoam e que
negais, por vos pressionar a concordância de que os mesmos não se enquadram num
padrão de alguém civilizado, digno de aceno subtil com a cabeça ao passar numa
rua, ou de um aperto de mão firme como se ali ficasse marcado um mútuo
respeito.
Concedo-vos
uma qualificação, subtil, como vós: sinuosos.
Tenho-vos
como um percurso de curvas e contracurvas, de precipícios infindáveis que nunca
suscitam a queda, por ser temeroso o seu final.
Por isso,
por uma infinidade de outras razões, vos vejo como seres repugnantes.
Passo a
explicar, que vos é algo tão normal, tão relativamente acessível, que não
requer qualquer tipo de privacidade. Não careceis de manto algum que vos cubra
os dentes, a língua, a saliva, para vos deixar apreciar o sustento.
Contudo,
negais serviços à vossa imunda fossa, à vossa poça de esterco, literalmente,
quando vos sentais na loiça com formato apropriado para receber um dos resultados
do vosso sustento.
Aí,
cobris-vos.
Aí não há
quem vos suporte, quem aprecie a beleza duma forte secreção anal que empesta o
ar e afugenta qualquer decente.
Sois assim
tão belos quanto vos descreveis?
Outra
faceta vossa que me encanta enojadamente: o vosso acto reprodutivo.
Tão
singelo, com partilhas de toques e cheiros, de fluidos corporais que são tão
naturais quanto a vossa intenção.
Deriva de
amor, que por sua vez vem da convencionalmente negada atracção, que por si só
não existiria, não fossem vós intrinsecamente animalescos.
Digam-me,
sem repúdia, quantos foram os desejados? A quantos vos apeteceu conhecer o
interior, aquele por debaixo da roupagem, a simples mecânica humana que nem se
pode detalhar para que os olhos dos outros se não semi-cerrem quando vos
encaram?
Contem-me
se vos não apeteceu nunca pegar num desses seres aparentemente intocáveis e
fazer dele vosso objecto, para vos satisfazer, sem limites, sem coberturas que
vos separem do que é chamado de imundo. Contem-me a quantos não vos apeteceu,
por apetite mesmo, penetrar ou ser penetrado, sem preocupação mínima de que
houvesse reciprocidade no acto. A quantos não vos apeteceu simplesmente usar
para vosso proveito e largar no instante da sacia?
Deixem-se
de formalidades.
Sejam
bárbaros como sois abafados.
Sintam
inveja e aproveitem-se dela, sintam-se uma espécie de animal e desnudem-se de
conceitos de respeito evidentemente ultrapassados e sem qualquer contexto.
Vós não sois, em nada, intrinsecamente respeitosos ou algo que se assemelhe.
Vós em
nada sois prestáveis que não para sacia sem preocupação com mutualidades.
Deixem-se
de tretas e joguem baixo porque sois assim.
Sou-vos
sincero.
Porque sei
como vós.
Tiago José Chaves
13/07/2013
15:51