Julguei-te livre.
Como água
que flui no rio, ou peixe na água que deixa passar qualquer atrito, não
prestando mínima atenção.
Julguei-te
um salto.
Alto, sem
começo nem fim. Apenas a sensação de que a gravidade puxa para baixo e nem
sequer permite pensar no seu término.
Julguei-te
papel.
Ligeiramente
amarrotado, com vincos acertados, rabiscados, manchados, onde não negavas
repouso da tinta arrastada por dedos calejados.
Julguei-te.
E agora
que me molho, que me mergulho ao teu encontro, a corrente torna-se densa.
Abranda-me.
Julguei-te.
E enquanto
corto o ar, enquanto me deixo puxar, vejo o chão.
Julguei-te.
E agora
que sinto aquele sufoco por carregar as palavras em tinta, por me doerem os
dedos calejados, mostras-me uma página repleta de histórias, preenchida por
nomes com defeitos e feitios, de datas, perfeitas... E de desvios, aqueles em que
tanto te empenhavas seguir.
Julguei-te,
porque sei julgar, porque sei começar sem acabar, porque sabia que iria
perdurar. E deu para prolongar.
E sei que
não vai apagar.
Porque nem
por mim foi escrita.
Tiago José Chaves
08/07/2013
03:32
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