terça-feira, 26 de junho de 2012

Ego


Eu sei errar. Eu sou o meu erro. Mas aceito-me, porque luto para ser quem sou. A mais insignificante forma de agir, “significa”, no completo sentido da palavra. Eu significo, não “algo”, não “alguém”. Puro e simplesmente, significo.
     Mergulho na minha ignorância, assim como o meu orgulho mergulha na imensidão do desespero dos meus erros, mortos para serem diferentes, seja de que maneira for. Mergulho e bebo sempre dela, porque me agrada o seu sabor amargo, a sua falta de cor e o seu carácter. Eu sou um apaixonado por mim, como vós, que por mais que façais por outrem, na nossa douta ignorância, somos o nosso ego.

    
Tiago José Chaves
23/11/2011


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Não


Não faz sentido nenhum. Qualquer distinção é um erro. Crasso, por assim se dizer.
     Não somos mais que porcos que lutam pela sobrevivência, satisfazendo necessidades tão básicas como os animais que somos. Não somos mais que nada. Tudo finda.
     Não temos direito algum. Não temos posse alguma. Não temos sentimento algum. Não temos nada. Não temos tudo. Não temos tempo. Não temos espaço. Não temos modos. Não somos. Não fomos. Não vamos ser. Não há princípio. Não há fim. Não há infinito.
     Não vale a pena. Não vamos onde queremos, ou onde queres, ou onde eu quero.
     Não vai haver guerra. Não vai haver paz. Não existe quente. Não existe frio. Não há palavras. Não há escrita. Não há som. Não há silêncio. Não há cor. Não há escuro. Não há luz. Não há sombra.
     Não há afirmação.  


                   Tiago José Chaves
11/06/2012