Sei que
estava errado. Por nem haver sequer erro. Porque estava certo da incerteza da
sensação.
Senti a
dureza do olhar que me amoleceu, mudando a essência rugosa e impenetrável que
mostrei e mostro a quem não permito presença no meu império desmoronado.
Nem nele
permito que toquem, aquando a inexistente visita.
Mas
deixei-te entrar.
Escancarei-te
a porta diante o rosto, deixei-te ver a minha essência que sei que não negarás,
até não mais aceitares.
Deixei-te,
pedra por pedra, reconstruir o império que deixei ao desleixo por saber que no
trono, quem se sentaria eras tu.
Tu, ou
alguém como tu, a quem nem sequer calculo existência.
Imensamente
tu, que não sei quem és nem quem foste, conhecendo-te como os palmos das minhas
mãos.
Estou
certo da minha certeza, no certo erro do que isto é.
Porque sei
que se te não sentares, aí, nesse trono que te aponto, onde te bandejo por
completo o meu inteiro, o império não faz sentido. O império tem destino à
ruína. Uma que visitarei sem nunca sair dela, cerrando por dentro os portões
que barram o exterior.
Nego a luz
e o luar, o vento e a sombra de tudo, para mergulhar de novo de onde talvez
nunca deveria ter saído.
Porque se
não sentir sequer, de novo, a tua face na minha, o teu cheiro em mim, os teus
olhos nos meus, melindrosamente, ou como quer que seja, negar-me-ei por
completo.
Deambularei
pelo mundo com meros retratos do que imaginei ser. Do que continuo a não ser.
Por te não
teres sentado.
Tiago José Chaves
10/06/2013
21:54