segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"Jeffrey Dahmer"


     A quem será atribuída a culpa de nos tornarmos no que somos? Será mais fácil culpabilizar o seio da família onde fomos criados e o manifesto de amor de cada indivíduo com ela relacionado, ou a constante necessidade de fantasiar no mundo surrealmente real em que vivemos e, então, atribuir culpa à sociedade que nos ocupa de nos cingirmos a regras e mandamentos e leis que nos privatizam de “ser”?
     Naturalmente e instintivamente, somos a consequência da constante evolução que a nossa raça sofre e que, em certos casos, é mal interpretada.
     A nossa necessidade de sociabilizar não é causa de carência afectiva mas sim da repetição da distinção que existe entre nós.
     Digamos que no 1º degrau de uma escadaria nos está perfeitamente acessível um engenho que nos permite ascender para o último degrau sem termos que pisar os restantes.
     Seguindo uma teoria facilitista, o engenho seria de imediato utilizado, podendo ou não, aquando a realização do acto, suscitar no indivíduo a curiosidade do que poderá ter deixado para trás, tentando encontrar nas escadarias restantes as respostas que acabara de ignorar, mas nunca se aperceber do que se sucede, visto a resposta final carecer de conhecimentos básicos.
     Seguindo uma teoria igualmente humana mas, de certa forma, “dificultista”, o indivíduo sacia a sua vontade de conhecimento e apercebe-se que as restantes escadarias dar-lhe-ão maior sustento e o aproximarão da resposta final pretendida e desconhecida.
     Com isto concluo que cada falha na personalidade individual pode ser preenchida com qualquer outra matéria, mas nunca corrigida, visto qualquer remendo precisar, indiscutivelmente, de uma análise minuciosa a acontecimentos antecedentes que possam ter causado a desfragmentação da saúde mental do indivíduo.
     Por defeito, deixaremos sempre falhas connosco e que nos farão agir de acordo com as mesmas, de modos diferentes, dependendo da necessidade temporal que cada indivíduo atribuir à realização de cada feito.
     Dessa necessidade temporal advém o erro humano que, uma vez servido pelo seu erro, dificilmente esquecerá o processo errático e este tornar-se-á uma opção primária ou secundária, ficando dependentes uma ou a outra dos degraus pisados posteriormente.


    

Tiago José Chaves
21/08/2012
14:30 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Delete"

         Dá-lhes respostas. Senta-te e observa, porque assim como tu te repousaste para que algo acontecesse, eles também. Tudo o que disseste ou escreveste com a garra de quem se sente correcto, apenas serviu de alimento para um espectáculo de bestas esfaimadas, à espera que algo acontecesse. 
       Vira a página ao contrário. Faz uma interrogação e deixa-a pendente. A retórica pode, de facto, afectar.
        Lunáticos. Egocêntricos. Ignorantes.
       Eles vão pensar na questão. Quem quer que seja que dê uma resposta minimamente correcta, audível e "saudável", entala de novo uma estaca na roda dentada que move o bom senso, fazendo-os de novo sedentários de pensamentos alheios. 
     Por outro lado, digamos que a resposta aceite é revolucionária, inspiradora!... 
       É falível. É portadora duma doença que espalhará o caos mais rapidamente, vitimando-nos. 
      Vítimas. Curioso é que, apesar de divinamente ou erradamente racionais que somos, a culpa da extinção que nos aguarda dever-se-à apenas e somente à vossa constante ambição e fome insaciável de conhecimento, de mexer no que estava bem no sítio onde foi colocado. 
        Não há nada a fazer. Tudo o que se diga ou faça é em vão.
        A raça humana serrou uma árvore que esculpiu e poliu para fazer o seu próprio caixão.
         É a contagem decrescente.
         Foi um prazer enorme em conhecer-vos.
         "Tic-tac". 


Tiago José Chaves
18/08/2012
00:46

domingo, 12 de agosto de 2012

De pouco a nada


         Este frio envolve-me, como a mim nada antes me envolvera. Em cada passo que dou, sinto a dormência dos meus pés, arrefecidos pela água que se forçou a penetrar a sola gasta.
        É um novo fim. Um término que semeia um novo começo.
        O gelo derrete.
        A água aquece.
        Corre e humedece o solo. Molda, fertiliza, alimenta.
        Dá vida.
      Tiro-te um pouco. Só desta vez. Devolvo-te quando não tiver mais nada para te dar. Quando de mim um pouco de nada se souber ou recordar.
     Pereço em mim como um nó nunca desfeito. Como um fio sem ponta para que não me possam contar.
      Todas as minhas posses deixarão de fazer sentido. Todo o meu suor derramado estará mais que limpo. Tudo o que era de mim, deixará de o ser.
    Nomes, números, feitos e desfeitos, metas, vitórias, derrotas… Sem sentido.
       Cair é fácil.
       Tão fácil. 

                        Tiago José Chaves
12/08/2012
21:35