A quem
será atribuída a culpa de nos tornarmos no que somos? Será mais fácil
culpabilizar o seio da família onde fomos criados e o manifesto de amor de cada
indivíduo com ela relacionado, ou a constante necessidade de fantasiar no mundo
surrealmente real em que vivemos e, então, atribuir culpa à sociedade que nos
ocupa de nos cingirmos a regras e mandamentos e leis que nos privatizam de “ser”?
Naturalmente
e instintivamente, somos a consequência da constante evolução que a nossa raça
sofre e que, em certos casos, é mal interpretada.
A nossa
necessidade de sociabilizar não é causa de carência afectiva mas sim da
repetição da distinção que existe entre nós.
Digamos
que no 1º degrau de uma escadaria nos está perfeitamente acessível um engenho
que nos permite ascender para o último degrau sem termos que pisar os
restantes.
Seguindo
uma teoria facilitista, o engenho seria de imediato utilizado, podendo ou não,
aquando a realização do acto, suscitar no indivíduo a curiosidade do que poderá
ter deixado para trás, tentando encontrar nas escadarias restantes as respostas
que acabara de ignorar, mas nunca se aperceber do que se sucede, visto a
resposta final carecer de conhecimentos básicos.
Seguindo
uma teoria igualmente humana mas, de certa forma, “dificultista”, o indivíduo
sacia a sua vontade de conhecimento e apercebe-se que as restantes escadarias
dar-lhe-ão maior sustento e o aproximarão da resposta final pretendida e
desconhecida.
Com isto
concluo que cada falha na personalidade individual pode ser preenchida com
qualquer outra matéria, mas nunca corrigida, visto qualquer remendo precisar,
indiscutivelmente, de uma análise minuciosa a acontecimentos antecedentes que
possam ter causado a desfragmentação da saúde mental do indivíduo.
Por
defeito, deixaremos sempre falhas connosco e que nos farão agir de acordo com
as mesmas, de modos diferentes, dependendo da necessidade temporal que cada indivíduo
atribuir à realização de cada feito.
Dessa
necessidade temporal advém o erro humano que, uma vez servido pelo seu erro,
dificilmente esquecerá o processo errático e este tornar-se-á uma opção
primária ou secundária, ficando dependentes uma ou a outra dos degraus pisados
posteriormente.
Tiago José Chaves
21/08/2012
14:30