domingo, 12 de agosto de 2012

De pouco a nada


         Este frio envolve-me, como a mim nada antes me envolvera. Em cada passo que dou, sinto a dormência dos meus pés, arrefecidos pela água que se forçou a penetrar a sola gasta.
        É um novo fim. Um término que semeia um novo começo.
        O gelo derrete.
        A água aquece.
        Corre e humedece o solo. Molda, fertiliza, alimenta.
        Dá vida.
      Tiro-te um pouco. Só desta vez. Devolvo-te quando não tiver mais nada para te dar. Quando de mim um pouco de nada se souber ou recordar.
     Pereço em mim como um nó nunca desfeito. Como um fio sem ponta para que não me possam contar.
      Todas as minhas posses deixarão de fazer sentido. Todo o meu suor derramado estará mais que limpo. Tudo o que era de mim, deixará de o ser.
    Nomes, números, feitos e desfeitos, metas, vitórias, derrotas… Sem sentido.
       Cair é fácil.
       Tão fácil. 

                        Tiago José Chaves
12/08/2012
21:35
                               

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