Este
frio envolve-me, como a mim nada antes me envolvera. Em cada passo que dou, sinto a
dormência dos meus pés, arrefecidos pela água que se forçou a penetrar a
sola gasta.
É um novo
fim. Um término que semeia um novo começo.
O gelo
derrete.
A água
aquece.
Corre e
humedece o solo. Molda, fertiliza, alimenta.
Dá vida.
Tiro-te um
pouco. Só desta vez. Devolvo-te quando não tiver mais nada para te dar. Quando
de mim um pouco de nada se souber ou recordar.
Pereço em
mim como um nó nunca desfeito. Como um fio sem ponta para que não me possam
contar.
Todas as
minhas posses deixarão de fazer sentido. Todo o meu suor derramado estará mais
que limpo. Tudo o que era de mim, deixará de o ser.
Nomes,
números, feitos e desfeitos, metas, vitórias, derrotas… Sem sentido.
Cair é
fácil.
Tão fácil.
Tiago José Chaves
12/08/2012
21:35
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