quarta-feira, 18 de setembro de 2013

(V)ês

É tão simples quanto isso que vos tanto deu prazer nem sequer me comover.
     O vosso nível, o patamar que julgais ocupar, é não mais que uma mera ilusão para quem a aceita comer.
     Pareceis pássaros, a darem de comer do que sois à passarada mais nova. Tornai-los eternamente fortes antes de morrerem!
     Aclamais-vos na vossa pacificidade como uma tribo de índios se deixa levar pelo fumo distante da fogueira com homens e mulheres que a rodeiam, ouvindo hipnotizantes ruídos do ritual que presenciais, exaltando-vos as hormonas e tremelicando-vos o sexo na esperança de que nada entre vós se intrometa.
     De todo, índios.
     De todo, corajosamente pacíficos.
     De todo, energúmenos.
     Esquivos.
     O fumo que vos hipnotizou não tapou os olhos a outrem. Contudo, sentistes-vos completamente invisíveis e isolados.
     E escondestes-vos.
     Escondestes-vos, com a ânsia de repetir.
     E repetistes-vos, escondidos, para que ninguém vos descobrisse.
     Índios que fazem o retorno à civilização.
     Cidadãos que se tapam como todos os outros, julgando-vos vós tão imensamente diferentes.
     Escrevo-vos para vos lembrar que exististes e que a vossa tribo foi fugaz!
     Tão fugaz em tempo como na vossa mentalidade e real percepção do que vos rodeia.
     Omissos.
     Mesquinhos.
     Mentirosos.
     Jogadores.   
     E indiferentes, que me sois.
     Mas retornem um para o outro.
     Não vos inquieto mais.
     Sois… Verdadeiramente Verdadeiros.


Tiago José Chaves
19/09/2013

00:00