sexta-feira, 18 de maio de 2012

T.D.T. - Processo de Homogeneização


      “Tudo à nossa volta parece imenso. Todos os nossos sentidos fazem sentido, enquanto estão sintonizados.
Sintonia. 
Arrepia-me tudo isso que funciona na perfeição. Arrepia-me o espanto de quando algo não está certo. Porque vos espantais? 
O erro. O que tanto vos assusta e que tanto tentais suprimir ao máximo dos máximos. Aquilo que não encaixa na roda dentada do tempo e do bom senso.  
Sentai-vos. Contemplai. Tenham o vislumbre da realidade que vos é transmitida por essa caixa que tantas verdades diz. É o vosso mundo. 
Eu, do lado de fora, com mais uma mão cheia de poucos outros loucos, contemplo o mundo que crio e que quero que seja eternamente imperfeito. Cultivo-o da forma que quero e da forma que sei que me ajudará a progredir. Mas neste meu mundo apenas pisam aqueles que eu permito que pisem. Há demasiados pés que se deixam guiar por fios que conduzem a abismos, aos quais eu não temo. 
Convido-vos a sentarem-se na poltrona do conhecimento e da verdade. Sentem-se, sem ordem para se erguerem de novo. Vós próprios declarais a vossa sentença.” 




Tiago José Chaves
02/05/2012


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Abraço


                É destas correntes que eu não me consigo soltar. Parecem uma parte do meu corpo que me causa dor e que atinge uma dimensão tal que rezo à morte.
                Não me consigo livrar delas, nem sei sequer se quero. Convivi tanto com elas que, no final de contas, aceito-as e acomodo-me no sofrido ser em que me tornaram. Não me larguem, nem que vos implore. Dão um nó, as minhas entranhas, de cada vez que essa nuvem de fumo pálido me passa pelo cinzento.
                Eu abraço a minha dor, conforme ela é. Conforto-me nela, acordo com ela e adormeço com ela. Ninguém nunca a irá entender. Nem mesmo eu e, pelos vistos, ela é minha.
                De onde veio ou como veio ou porque permanece, já fez sentido perguntar-me. Mas, se aceito tantas coisas, se aceito lágrimas de pessoas que me aquecem, se aceito amor de quem não conheço, se aceito ódio de quem não me conhece, se abraço a indiferença de um cego, se no fundo me amo, se vos amo, se caio e me levanto, se choro, se rio,… Se sinto, porque não os guardo a todos no peito? Porque não deixo as correntes aprisionarem uma parte de mim? É só uma parte. Tenho outras.
                Abracem-me.

Tiago Chaves
08/05/2012
00:45