É
destas correntes que eu não me consigo soltar. Parecem uma parte do meu corpo
que me causa dor e que atinge uma dimensão tal que rezo à morte.
Não me
consigo livrar delas, nem sei sequer se quero. Convivi tanto com elas que, no
final de contas, aceito-as e acomodo-me no sofrido ser em que me tornaram. Não
me larguem, nem que vos implore. Dão um nó, as minhas entranhas, de cada vez
que essa nuvem de fumo pálido me passa pelo cinzento.
Eu
abraço a minha dor, conforme ela é. Conforto-me nela, acordo com ela e adormeço
com ela. Ninguém nunca a irá entender. Nem mesmo eu e, pelos vistos, ela é
minha.
De onde
veio ou como veio ou porque permanece, já fez sentido perguntar-me. Mas, se
aceito tantas coisas, se aceito lágrimas de pessoas que me aquecem, se aceito
amor de quem não conheço, se aceito ódio de quem não me conhece, se abraço a
indiferença de um cego, se no fundo me amo, se vos amo, se caio e me levanto,
se choro, se rio,… Se sinto, porque não os guardo a todos no peito? Porque não
deixo as correntes aprisionarem uma parte de mim? É só uma parte. Tenho outras.
Abracem-me.
Tiago Chaves
08/05/2012
00:45
*Hugs*
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