segunda-feira, 26 de março de 2012

Incómodo

Parecem agulhas, que me perseguem e insistem em perfurar a minha casca. Parecem memórias dum passado perto e longe que persiste em bater-me à porta e relembrar-me da sua prévia existência.
Agulhas que me perseguem e perfuram as entranhas à mínima oportunidade. À mínima amostra de fraqueza.
Já não sei mais o que fazer. Estas imagens não são de papel. Não dão para rasgar ou queimar. Estão-me a incomodar. Começam como uma comichão que as minhas unhas arranham e arranham mais, até causar uma ferida exposta onde nela parecem cair quilos e quilos de sal a cada ínfimo de tempo que passa.
Não suporto mais a dor.
Mata-me. Mata-me duma vez. Leva-me onde me queres levar, desde que o caminho não passe pela loucura. A loucura de cometer os mesmos erros e me encontrar com um presente como o que encaro e me faz fugir a sete pés. Mas é em vão.
Imagens.
Bofetadas. Cuspidelas. Mãos dadas, abraços, sorrisos, beijos, saliva, sangue, força, suspiros, respirações, sexo, gemidos, medo, medo, medo, medo. Medo. Mais medos.
Sinto demais.
Incomoda-me a vossa existência.
Incomodo-me.


Tiago Chaves

21/03/2012

1 comentário:

  1. I chose, like I would chose any other text to say that every word, every movement, every second spent on writing this is based on raw emotions,and it makes it easier to read, easier to believe, easier to feel. I missed that on my own writing and you reminded me, you can never be always good, but when you are, you may shine, you may flower upon every soul, and when you're quiet you ear the round of applause from a far getting to you. Thank you.

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