E se tudo o que se está a
passar, passa de vez?
E se todo
o esforço, toda a gota de suor derramada, toda a lágrima enxuta com as costas
da mão, foram em vão?
E se cada
noite mal dormida, se cada dia mal acordado, pudesse ter sido de repouso?
E se tudo
o que usamos como conhecimento, se tudo o que nos rodeia, se tudo o que nos
parece de uma solidez inigualável, é tão fictício quanto nós conseguimos ser?
E
se tu não existisses?
E se nós
deixássemos isto?
E se tudo
findasse?
E se o
princípio e o fim nunca existiram?
Se passar
de vez, levantar-nos-emos.
Se todo o
esforço, todo o suor, todas as lágrimas forem em vão, esforçar-nos-emos ainda
mais. Suaremos ainda mais. Choraremos ainda mais.
Se noites
mal dormidas e dias mal acordados puderem ser de repouso, nós não vamos
adormecer. Nós não vamos acordar.
Se tudo
quanto conhecemos e nos rodeia não existir, nós faremos com que exista.
Se tu não
existisses, eu criar-te-ia.
Se nós
deixássemos tudo, eu procurava o todo de volta.
Se tudo
findasse, eu recomeçaria o jogo.
Se nada
principiasse nem acabasse, não haveria um “nós”.
Tiago José Chaves
24/10/2012
21:13
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