Apanhaste-me,
enquanto nem me conseguia ver.
Agarraste-me, e estava eu tão perto.
Seguraste-me, quando a queda me parecia
infindável.
Não te apercebeste, talvez, de que o fundo
para mim me parecia cada vez mais o único lugar onde poderia assentar os pés. Talvez
nem te tenhas apercebido, como eu, que quando lá batesse, pouco de mim
sobraria.
Se as palavras que escrevo significassem
uma ínfima parte do que eu senti, eu acreditaria em mentiras. E tão envolto
nelas estive!... Tanto essa teia me enrolou e me aconchegou no constante sufoco
que já nem me incomodava.
Como podes tu ter acontecido?
Como pode o tempo ter calculado tão
minuciosamente o encontro que me tatua as palavras entre os dedos das mãos?
Quando, em que circunstâncias, de que forma
podes ter sido tu, de um universo completamente paralelo ao que me espelha, que
me puxaste com a força e garra de quem realmente acredita?
Talvez não saibas o que fizeste. Nem como
fizeste. Nem sequer se fizeste. Mas eu senti a tua mão em mim. Senti a força
mudar de direcção. Ouvi-te puxar e gemer. Agarrar-me a tremer.
Temos tantos medos.
Já tivemos muitos mais.
Perturba-nos o medo de termos medo
novamente.
Magoa-me tão docemente saber que existes,
que me soubeste tocar. Que soubeste cuidar de mim. Melhor e mais rápido que
alguém alguma vez houvera feito. Sinto-te em mim. Sinto-te dentro de mim.
Puxei-te.
Agarrei-te.
Segurei-te.
Tiago José Chaves
19/10/2012
14:12
Sem comentários:
Enviar um comentário