Acordais
sobre ela.
Agis sobre ela.
Dormis sobre ela.
Respirais sobre ela.
A constante forma de estar que nunca vos deixa recuar, embora
hajam tantos tropeços pelo meio desse caminho que nem eu sequer posso ignorar.
Não sois, mas pareceis, ruminantes de ideias e pensamentos e
milagres e acontecimentos.
Mastigai-os bem.
Deleitem-se nisso. Na “verdade”. Ele disse-vos tudo, porém não O ouviram.
Ele mostra-vos tudo, porém não se mostra. Ele dá-vos tudo, no entanto
procurais. Ele tocou-vos à nascença, porém sofreis e fazeis sofrer na
continuidade de atrocidades que tentais incutir uns aos outros.
Passai-lhe um pano humedecido de água quente em cima. Do frio
vos salvais.
Molhai-vos em água limpa e fresca. Do calor vos salvais.
E é assim, desde sempre, para que uma base nos pés exista. Para que
vos seja possível dar algo aos outros. Para que pareça que não há indiferença.
Para serem perfeitos ou perto disso.
Palavras são doces, são amargas. São mentira e verdade. Palavras
são luz e sombra, são fome e fartura, são sede e embriaguez.
Drogam-nos.
Confundem-nos.
Conduzem-nos.
Alinham-nos
os olhos para onde bem entenderem.
Palavras
são tão facilmente cruéis e amáveis.
Mas entendo quando as ouço. Entendo sempre, bem ou mal. Mas sei que estou certo ou errado.
Sei que posso, e não, cair.
Vós credes,
piamente, nalgo. Algo são palavras. Algo são esperanças. Algo é o que vos
mantém de pé. E não interessa o que vos digam: é verdade. E não incomoda a
mentira, tal a força que usais para agarrar a verdade que ela vos dá para a
mão.
De verdade
vos poderia presentear infindavelmente, exaustivamente, como bom dono dela que
sou. Assim como vocês, maravilhas, iluminados, sombras, me dariam não mais que
mentiras, como donos bons de verdades vossas que sois.
Pouco mais
ou menos somos uns em relação aos outros, mas cheiramo-nos à légua,
encontramo-nos, observamo-nos, tocamo-nos, partilhamo-nos, testamo-nos,
questionamo-nos, ignoramo-nos, exaltamo-nos, desentendemo-nos. Findamo-nos.
O nosso
percurso choca, porque começou sem pedirmos. Porque “somos”, sem termos tido
voto.
E são-nos
ditas verdades e mentiras. Minhas e tuas. Ou só minhas e só tuas.
Mas
deleitamo-nos de novo nelas. Vezes sem conta.
Afinal,
somos a nossa crença.
Tiago
José Chaves
06/11/2012
09:45
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