É inevitável.
Enquanto
cá estivermos, como somos, será sempre inevitável.
Mesmo
que as pálpebras neguem a luz aos olhos, escurecendo qualquer forma que se
assuma, haverá sempre uma espécie de silhueta uniforme perfeitamente
perceptível.
É
inevitável.
Se
formos como somos, será sempre inevitável.
Mesmo
que a língua se recolha por detrás dos dentes e a saliva a envolva naquele
espaço humedecido e quente, cada sabor vai-se fazer sentir pelos ecos das memórias
que me foram dadas. Sem pedido.
É
inevitável.
Enquanto
assim formos, será sempre inevitável.
Mesmo
que as mãos se recolham nos bolsos do que me guarda e protege e o não faz, elas
vão perceber e tocar e querer sempre um pouco mais. E os punhos serrar-se-ão.
É
inevitável.
Se
formos assim, será sempre inevitável.
Mesmo
que o ar que me entra pelas narinas me queira fazer tropeçar na presença de um
odor familiar e aprazível como o que me persegue e me insiste, os meus pulmões vão-se
manter repletos desse ar, aumentando a sua adição.
É
inevitável.
Enquanto
o formos, será sempre inevitável.
Mesmo
que os reflexos do som da pulsação que me mantem se queiram silenciar, esse som
longínquo ecoará em mim, fazendo o meu acompanhar o teu.
És
inevitável.
Mesmo
que não sejas, ser-me-ás eternamente inevitável.
Mesmo
que os meus cinco pontos extremos animalescos te recusem, mesmo que te repulsem
com tudo o que têm, mesmo que se fechem e se empestem e se afoguem e se queimem
e se ensurdeçam e se ceguem, mesmo que os negues com tudo de ti, mesmo que a
sanidade se me finde… mesmo que o tempo conte ao contrário… mesmo que o calor
me arrefeça… mesmo que a água não me mate a sede…
Enquanto
fores inevitável, sempre mo serás.
Tiago José Chaves
07/01/2013
03:10
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