A luz esbate-se. Aparece imperceptível. Há um esforço
quando essa luz se esbate. Quando se some. Mas não chega. Há para lá mais que o
que se possa perceber.
De desconfiados, ambos os pés que calço
desviam-se sempre que essa luz me encontra. Os meus instintos segredam-me que
ela é melhor quando imperceptível. Que se a vir demasiado perto, demasiado
nítida, não serei mais eu.
Eu creio no que me segredam.
Mas ela brilha.
Flameja.
E eu, que nunca pedi por luz que me
iluminasse, que nunca quis perceber que chão pisam os pés que me calçam,… que
nunca me fiz perceber por alguma luz: tento-me.
E arrasto os meus pés em cinzas e carvão. E
aquilo que foi ardido aproxima-se de algo que ainda arde. Aquecem-me os pés.
Sinto os meus pés. Percebo o chão que piso.
Recuo.
Tenho medo.
Nunca o calor procurara por mim.
No escuro miro a luz de novo. E ela delineia-me.
Ela dá-me tons e tonalidades. Ela mostra cores à sua volta. Ela despe tudo o
que qualquer essência nunca havia alguma vez desnudado. Percebo o envolvente.
Sinto-me quente. Estou perto dela. E não me aproximo mais. Ela começa-me a
roubar o espaço, dando-me mais de um que desconheço.
Contorno-a.
Viro costas ao escuro e miro-a querer-me
cada vez mais perto.
Temo novamente.
Estranho o escuro ser-me estranho.
E volto de onde tinha vindo, deixando o
calor apoderar-se de cada parte que exponho. Deixo que todos os meus átomos se
agitem e se perturbem e me deixem desmedido e me avancem!...
Que me avancem de uma vez por todas! Que me
deixem abraçar o calor que desconheço! Que deixem que me queime! Que deixem que
a luz de onde o calor sai, me cegue! Que o calor se aproveite do meu corpo e me
endoideça!...
Eu sei… sei.
Sei que não verei mais. Sei que terei ainda
mais frio. Sei que não vou saber. Sei que o chão me vai pisar e nada poderei
fazer.
Sei que vou recuar.
Tiago
José Chaves
17/12/2012
21:24
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