Os traços.
São esses que teimam em não me abandonar o pensamento.
A linha.
Essa doce forma que percorre o teu ser,
continuamente, numa sinfonia de simetrias de curvas irregulares que te desenham
e que nunca a luz quererá abandonar, por mais que a sombra se ache tua por
direito.
E muito foi tua a ausência de luz quando te
deixaste cobrir pelo manto negro de mágoa e dor que te deram sem pedido teu.
Grotescos seres aqueles que o não souberam
queimar quando to viram usar e possuir e fazer cair, nesse abismo de terra,
humedecida pelas correntes que por lá passaram para que o fogo não pudesse
pegar no que te cobriu.
Diz-me: porque não te deixas cobrir de
novo?
A escuridão que nos aqueceu foi ausência de
luzes diferentes. De semelhança infinita. E nessa dor julguei eu ver o que nos
une. E na sombra julguei eu ter visto luz. E na tua sombra julguei eu ter sido
o pavio que ardia incansavelmente, sem nunca aguardar por sopro que me
terminasse.
E aqueces-me.
És fogo.
Que me aquece, com medo de me queimar. E eu
de ser queimado. Ainda mais que o que já fui. E fui. Acredita. Porque eu
preciso.
Preciso que acredites.
Preciso que me tires e te tires do manto.
Preciso que os queimes.
Preciso que com o mesmo fogo que os
queimaste, me aqueças a mim e a ti.
Preciso que me queimes.
Tiago
José Chaves
27/11/2012
19:56
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