Nunca olhei devidamente para
nada. Talvez porque nada tivera olhado devidamente para mim.
Nunca
olhei para cima. Nem nunca quis ver para baixo, tal o medo do voo e da queda
que via repetirem-se na constante inquietação do meu pensamento.
Mas
voei. E caí.
E
tornaria a voar, mesmo sabendo que iria cair de novo. Porque me sei erguer.
Porque me ensinei a fazê-lo.
Memórias.
Essas
que teimam sê-lo.
Essas
que se unem ao sentimento como um elo da corrente que nunca me quis largar. Mas
nunca me senti acorrentado. Nem nunca vi a corrente. E ela mesmo diante de mim,
a agarrar-me e eu sem me deixar ir, com medo de cair. E a queda tanto eu queria
para mim.
Mesmo
ensanguentado, mesmo ferido e me vindo sangue que nem meu era, ergui-me. Mesmo
chorando e as lágrimas não me saberem às minhas, soube sorrir. Mesmo sofrendo e
a dor não ter sido minha, soube voar.
E
vou saber olhar para cima.
E
vou saber olhar para baixo.
E
vou saber se fui olhado devidamente.
E
vou saber olhar.
Tiago José Chaves
27/11/2012
19:03
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