De ver estamos
todos cansados. Fingimos querer ver mais, damos a entender um bem-estar que não
o é, tentamos vender sorrisos que têm tanto de belos como de vazios.
Esta
constante partilha torna-se cansativa e recorre-se à futilidade. Ao acessível,
alcançável, algo que nos não faça despender demasiado tempo.
De
todo esse jogo de ganhar e perder algo bom e mau e tudo quanto se possa
adjectivar positiva ou negativamente, nada sobra para ninguém e de mão abanadas
cairemos e seremos escondidos pela terra.
Mas
tentamos compreender. Para possuir. Para ter e mexer e virar e revirar.
Continuamos
a manusear o objecto que nos dá o jogo do qual ninguém mais ganha ou perde. Nem
as regras sabemos. Nem por elas nos ralamos. Para quê?
“O
jogo”.
A
constante tentativa de percepção do que nos rodeia. De quem nos rodeia, no
cerne de toda a pretensão.
Esventramos
toda a verdade oculta para alcançar o máximo de conhecimento. Mas é insaciável.
Tudo é infindavelmente complexo e desejável. Tudo nos espicaça para conhecer
mais. Mas nada sabemos. Tudo queremos saber, por nada há esforço.
Quero-vos
perceber.
Quero-vos
esventrar a cinzenta.
Quero-me
matar convosco.
Tanto
que nos tentamos perceber. Tanto que a partilha se dá e se vende sem querer,
sem se pedir. E não percebemos. Não queremos perceber.
Não
olhamos para o centro dos palmos das nossas mãos. Não queremos entender que
temos algo connosco e não há um mínimo de esforço para o gosto de se ter.
Olhamos
tanto para os palmos dos outros.
Queremos
tanto que o centro dos nossos seja como os deles.
E
aí há esforço.
Esforçamo-nos
para os perceber. E conseguimos. Mas tão superficialmente. Tão relativamente
certa que é a nossa percepção. Tal a nossa ignorância.
Debrucem-se
sobre o rio.
Deixem
que o sol vos bata nas costas.
Deixem
que se perceba a vossa sombra.
Deixem-se
ver para além dela.
Aí
colocarei a mão no vosso ombro. Aí entendereis o porquê do silêncio das palavras.
Aí vereis que tudo isto é não mais que uma relativa percepção da sinfonia
dissonante, extremamente harmoniosa. Que todo o ruído faz de si algo. Que tudo
se torna útil.
Que tudo é
ridiculamente perfeito.
Tiago
José Chaves
07/12/2012
10:50
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