terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quase



Quase me habituo.
     Quase me tapa e me esconde a nuvem que paira neste ar pesado e insuportável que vou suportando à medida que em mim se me acomoda a ideia de que tudo vem e vai com um propósito que significa ou que se torna insignificante.
     Quase o sal me não deixa corromper o sabor da pele e saliva que nos envolveu quando nada mais era relevante que o que se toca e deixa tocar por ambas as mãos carregadas de imundice que arrastamos connosco como que um fardo que ninguém mais poderá carregar por nós e que tornaram tão pesado e imensurável.
     Quase me adapto à tua ausente presença.
     Quase te reconheço como te conhecia e pensei nunca vir a conhecer.
     Quase nego a ridicularidade da imensidão de sentimentos que me foram despertados e que teimo em de novo adormecer com todas as forças que em mim se reúnem.
     Quase é vão.
     Quase atinge onde queria que atingisse.
     Quase os meus olhos vêm e percebem a luz ao nosso redor, mesmo envoltos pela sombra negra que nunca se ausentou.
     Quase acreditei.
     Quase fomos.
     Quase me esqueci.


Tiago José Chaves
08/01/2013
15:54

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