sábado, 6 de abril de 2013

Peixes (in "Memória de Peixe")


   A encenação que nos rodeou. Quantas verdades nos foram mostradas. Quantas magnificências verbalizadas.
    Tivemos terra. Quisemos mar. Porque queríamos mais. E chegámos lá, penetrando ondas e marés, onde não havia firmeza, mesmo sendo para nós puro alcatrão. Era chão para os nossos pés.
    Deixámo-nos levar, à beira da queda vertiginosa que tantos viam. O mar parecia finitamente infindável.
    A água não precisava mais de nós, porque os nós com ela haviam sido atados. Todas as ondas que nos salgaram o percurso até então desconhecido, acalmaram à nossa passagem.
    Porque somos magníficos.
    Porque fomos magníficos.
    Porque desviámos precipícios.
    Porque nos sufocámos.
    Porque nos pendurámos.


Tiago José Chaves
06/03/2013
21:38





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