O andar
desajeitado de quem não sabe onde vai assentar os pés. O olhar desconfiado de
quem não sabe onde pode parar o olhar. O balbuciar temeroso de quem tem medo de
se pronunciar.
Mostraste-te assim, como um ser sem local e
tempo onde se pudesse encaixar devidamente. De todo, uma peça que sobrou num
puzzle sem defeito. Um jogo que se joga com falhas que não se mostram.
A timidez de quem se quer mostrar, a
despreocupação de quem se não deixa de preocupar, o pestanejar de incredulidade
que tinhas que te aceitar.
Porque eras tu.
Despiste-te em mim.
Conheci cada canto teu, de tão imundo estar
o meu pensamento. Vagueei em ti sem permissão de deuses que te possuem e de
quem não abres mão. E não carregas tu cruz alguma que não a tua.
Como flor que resiste no mais gélido frio,
como gelo que não derrete sob ameaça do Sol, fui-te vendo e desvendando, sem te
arrancar nem derreter.
Arrancaste-te.
Derreteste-te.
Não deixarás de ser a peça a mais do meu puzzle,
um enigma por resolver. Não deixarás de colocar questões sem sequer te
pronunciares. Porque nasceste com o brilho que tens e no qual nego crença, no
qual me vingo quando o manto negro me cobre.
Que fazes tu aqui?
Que queres tu de mim?
Porque caminhaste sem jeito?
Porque olhaste desconfiada?
Porque balbuciaste?
Porque te mostraste?
Porque és tu?
Porque tens cantos?
Porque possuis encantos?
Porque tudo em ti não há palavra que faça
jus?
Tiago
José Chaves
29/03/2013
03:17
Sem comentários:
Enviar um comentário