Lembra-te como
nasceste.
Lembra-te como
vieste.
Lembra-te do colo.
Lembra-te de
chorares por mãos que te soubessem agarrar, que te abanassem, que te
embalassem, que dessem peito para consolo, para satisfação que nem sequer entendias.
Lembra-te do
esforço, aquele que fizeste para deixares de gatinhar, que fizeste para ouvir e
balbuciar, que te foi feito para deixares de mamar.
Lembra-te das
palmas quando sopravas velas, do sabor do bolo que tanto gostavas, do embrulho
que te reluzia nos olhos.
Lembra-te da
insensatez das correrias. Quantas vezes as fizeste. Das primeiras leituras, do
conhecimento que te deu amarguras, das tuas formosuras que encantaram os olhos
de outrem.
Lembra-te de
quereres repetir a tua história.
Esquece quem sou.
Esquece quem
somos.
Esquece os risos e
saltos e insolências, esquece cheiros, cores e paciências. Esquece onde te
deitas e quem te deitou, esquece quem mais de ti cuidou.
Esquece-te das
palavras que leste e ouviste, do teu próprio toque e da facilidade de andares
por aí a acenar a quem acenavas.
Esquece o sangue.
Esquece as
lágrimas.
Esquece os colos.
Esquece os
cheiros.
Esquece a luz.
Esquece que te
lembras.
Tiago José Chaves
14/03/2013
17:00
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