E
sento-me.
Repouso
o corpo pesado e pouso o pensamento que me calca e me vinca a pele e as
entranhas. Cambaleio no meu cansaço para um repouso que há já muito que me não
encontrava porque dele me escapei. Deixei que a fadiga se apoderasse de mim e
deturpasse cada informação adicional que me fosse dada ao receptáculo.
Deito-me.
Descanso.
Tenho
sono.
O
sono tem-me.
E
teima em não me deixar. Tanto que me incomoda e não mais quero dormir.
Assusta-me demais. Parecia querer apoderar-se do tempo que partilhamos e que
ele tão bem manipula. Que me deixa sentir quedas vertiginosas, que me mostra
monstros que neguei, que me abranda quando tento fugir, que me foge quando o
tento agarrar e me faz ser agarrado por sombras que conheço, por nelas me ter
deixado perecer.
Doce
sonho, que me sois tão familiar, que me sois tão velho e respeitado, que deteis
poder absoluto porque a minha mente possuís! Que me forçais dirigir-me a vós
com formalidades e cordialidades porque sois agro e doces e me ajudais,
libertais e deteis, no tempo, no espaço e em mim.
Sois
difícil de verbalizar. Sois tanto. Sois pai e mãe, irmão e irmã, sois tio e
tia, primo e prima, sois avós, como a nós não enganais, que sois eu próprio.
As
correntes e cadeados com que me prendestes, que me deixaram marcas nos pulsos e
nos pés, as chicotadas que me destes e deram, as cuspidelas que me molharam o
rosto e os olhares de esguelha que me negaram: fostes tu.
Sempre
tu.
Sempre
eu.
Sonho,
porque me agarraste? Porque desviaste o sono e negaste o descanso ao cansaço
que a minha pele carrega? Porque me não abafas de vez e me fazes filho da terra
de novo? Porque me atormentas? Porque queres imundo ser como eu? De que te
valho?
Deixa-me
dormir.
Tiago José Chaves
21/02/2013
00:17
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