O som
envolvente, que me atormenta.
As
vozes, os ruídos, risos de lábios que mentem e línguas que se torcem em saliva
sábia de nada.
As
luzes que se mostram, que me cegam.
As
formas, as sombras, corpos que se encaixam em objectos que se deixam ser usados
constantemente.
O
palpável, que me apalpa as entranhas.
Elas
revoltam-se dentro de mim, negam-se aos meus órgãos e à sua utilidade, fazem-me
nojo porque me sinto sujo do pó e da água que se encontram e dançam em mim.
Tudo
o que me apanha, apanhou porque não quis e deixei. Deixei que de novo me
alcançasse e me fizesse desgastado, com pó e água. Com nojo. Com lama em mim.
Chafurdo
nela. A imundice atrai-me porque a repugno. O esforço pela negação a ela
torna-nos unos, faz-nos dançar, faz-nos envolver um no outro. Completa-nos cada
vez mais. A nossa união faz todo o sentido.
Bebi
do copo que sabia que me iria deteriorar de novo. Bebi porque já me havia
corroído, por dentro. Achei-lhe um sentido que não tinha.
Tinha
que ser, porque não tinha que ser.
Tinha
que ouvir.
Tinha
que ver.
Tinha
que tocar.
De
novo, nesse círculo proporcional ao meu ego, que me consome, fazendo-me.
Encolho-me
porque me dói. Encolho-me para que doa.
Esfrego
os meus olhos para verem neblina. Todas as formas me deturpam o que quero ver.
Tudo o que quero ver, deturpo. Tudo o que deturpo, guardo em mim.
Alcanço
uma percepção imperceptível e deixo-me divagar no meu pensamento que nada
importa, porque não me importais.
Porque
foi por vós que me deixei de perceber e me percebo tanto. Tanto que me não
quero perceber de novo.
E
o novo assusta-me, a mim e a vós. Queima-nos os olhos, rebenta-nos os tímpanos
e cega-nos o toque. E por novo toque esperamos, para que outra vez nos toque no
âmago.
Calem-se.
Em
mim, silenciem-se.
Larguem-me.
Deixem-me.
Larguem-se
de vós e agarrem-se a quem realmente sois. Se o não sabeis, é porque o sabeis
bem demais.
Caiam.
Tiago José Chaves
06/02/2013
16:43
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