Enquanto
as respirações se encontraram e tudo ao redor se assumiu certo, nada nos fez
parar. Porque nada nos queria parar. Porque por meros momentos, que pareceram
eternos, fomos certos.
Veio
fogo, que nos deixou acender a chama. De novo. E as brasas que nos aqueceram
noite dentro quase queimaram. Ficaram somente as cinzas para contar o começo da
nossa história. Essas cinzas que outrora nos foram essenciais à vida, que nos
deram oxigénio. Como as nossas respirações, que julguei que, enquanto unas,
seriam oxigénio. Seriam sustento.
Pisei
de novo o chão. Há nele um tapete belo e confortável, limpo. Pisei-o,
incansavelmente porque senti falta de o recordar nos meus pés. Porque me era
sempre base onde podia manter-me de pé, sentar-me, deitar-me. Podia usá-lo,
conforme me apetecesse.
Pisei-o,
sem olhar devidamente para ele. Sem procurar saber se era realmente firme.
Da
mesma forma que me despreocupei de conhecê-lo, de saber se podia ou não ter
pulado em cima dele, ele não procurou saber se me magoaria ao fazê-lo.
Desabámos
juntos, numa completa confusão de pedaços de tecidos rasgados e corpos
entrelaçados na loucura que nos deu o chão.
Fomos
falsos como plástico, que se derrete e se consome a si próprio, à mínima chama
que o encontre.
Todas
as cinzas que foram brasas que nos aqueceram e que foram o ar que respirámos,
deixaram ao nosso critério a falta de sentido que ganharam.
Despropositámos-lhes a existência e o fim. Nem demos sequer propósito ao que
poderia vir a tê-lo.
As
nossas respirações encontraram-se e deixaram-se partilhar do ar quente e do
fumo que nos testaram.
Respirámo-nos
e respirar-nos-íamos de novo, sem pestanejar.
O
falso dá-nos sangue.
O
plástico derrete-se como nós, um pelo outro.
Consumimo-nos.
E
as nossas respirações encontram-se.
Enganam-se.
Tiago José Chaves
09/02/2013
21:12
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