Enquanto roço
os dedos na face e sinto a pelugem áspera que o rosto de um homem deve ter,
percorrem-me imagens que não combinam com os dedos a roçarem na face com a
pelugem áspera que um homem deve ter.
Enquanto
pestanejo gravemente e sinto cada pulsação do meu coração sob controlo como um
homem deve controlar, percorrem-me vozes que rejeitam a combinação entre o
pestanejar grave e a pulsação cardíaca controlada que um homem deve ter sob
controlo.
Enquanto
sinto a rigidez do meu corpo sólido como afirmação da minha presença como um
homem deve assumir, assumo a fraqueza que tenho ao não ter rigidez no meu corpo
sólido para afirmar a minha presença como um homem deve assumir.
Enquanto
me prestarem atenção, enquanto eu vos pedir atenção e vós nem questão
colocardes, eu vou usar-vos, abusar-vos, manusear-vos como boas marionetas que
sois.
Porque o sois,
na eterna perversidade da minha mente, na eterna incorrecção que o meu
pensamento tem, no infindável imundo meio em que me forço a entrar e
permanecer.
E mais imundo
quero eu ser rebaixando-me a vós. Tendo fios que puxais e me movem.
Aparentemente.
Tiago
José Chaves
19/04/2013
12:28
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