Há sítios
para os quais nem sequer devíamos olhar. O seu vislumbre é incómodo.
Há sítios
que simplesmente podiam cessar de existir. Eles próprios apelam a uma
estranheza que nos faz crer que somos doentes. Que somos doentios.
Há sítios
que nos querem desesperadamente. Querem-nos por não saberem ao certo o que
realmente querem. Querem-nos por não terem mais que querer. É uma qualquer
melodia hipnótica que ludibria por completo o mais sóbrio ser.
Tu tiveste
desses sítios.
Tu estiveste de pé neles.
Tu deitaste-te neles. Sei
que não foi singular. Sei que foram várias as vezes que neles estiveste de pé,
que te deitaste. Por várias vezes, tiveste-te nesses sítios.
Enquanto te vejo por aí, sem
ter qualquer necessidade de usar a minha visão, sinto-me tonto. Sinto uma
vertigem, constante. Sinto uma perda de equilíbrio. Sinto-me completamente
drogado, enganado. Duvido da verdade e cada vez mais desconfio de mentiras, que
sei que me desequilibram, que me deixam tonto. Que me deixam bem alto, de onde
olho de baixo e sinto essa vertigem constante. Sinto a presença dum colosso,
ali, à minha beira. Uma sombra que se assombra a si própria.
Tenho passado por aqui
inúmeras vezes. Sei quão tentadora é a dor de olhar à volta, de tentar perceber
o que aqui aconteceu, de me enjoar com a tontura. Sei que a certo ponto não
poderei aqui voltar, que me será negada a oportunidade de me calcar ainda mais
em desgosto.
Saboroso.
Detestável.
Não estou bem aqui. Se pelo
menos me sentisse só, como sei que não gostas de te sentir…
Mas será sempre
inconclusivo. Sempre uma afirmação reticente. Soluçada. Amedrontada de se
afirmar.
Consegues dizer-me o que
realmente queres? Consegues ter consciência de quem és para ti? Consegues
ver-te com alguém com quem não queres estar? Consegues continuar a viver numa farsa?
Consegues ficar aí, nesse
sítio, para o qual não consigo olhar?
Consegues não te repetir ao
longo da história?
Não me sinto bem, aqui,
assim. O que quer que seja que a proximidade traz, é passageiro. É um engano. E
ver de longe, de cá de baixo, proporciona diferentes perspectivas. Mas continua
a ser incómodo.
Fico aqui, porque aqui não
posso ficar melhor.
Fico aqui porque aqui não
pioro.
Não me chames.
Tiago José Chaves
09/04/2015
13:55
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