Adormecido.
Como
qualquer outro ser que se deixa levar para o incógnito do sono.
De um
sonho.
De muitos
outros sonhos lavados com água e sabão, à pressa, sem saber porque é que a
pressa assim de nós se apodera.
Instala-se
a correria e a correr marcamos o andamento da luz que se mostra e se esconde
uma vez de cada vez.
Parece uma
corrida.
E corremos
como doidos e com doidos, quase de mãos dadas, como se tivéssemos todos um
mesmo propósito e como se a pele e a carne que nos reveste fosse finalmente
pretexto suficiente para que simplesmente soubéssemos como deixaríamos ficar a
nossa pele com outra pele.
Peles
frias, húmidas, gretadas, pálidas, sujas de um encardido que a ninguém
incomoda.
Peles em
mãos que se dão com um toque leve umas às outras, com medo de se tocarem ou de
serem vistas quando se tocam.
Mãos
abertas, apalpando no ar o ponto ideal onde se possam agarrar. Um vazio tão
palpável quanto qualquer berma de qualquer coisa que lhe aparecesse. Uma
qualquer saliência.
Assente
com os pés, meios desalinhados, meios forçados a sustentarem um peso qualquer,
que se balanceia de um lado para o outro, sem saber bem se é para um ou para
outro.
Assim nos
vejo, sem ordem, sem distâncias medidas nem alturas caídas, sem suporte para os
pés nem pés que nos suportem.
Sem força
de mãos ou força que preste.
Sem berma
quieta ou quietude que o seja.
Sem que
peles se toquem.
Sem que
toques em mim.
Sem pés
numa corda.
Sem corda.
Para cada
berma, sua vertigem.
Para cada
vertigem, nada semelhante.
Tiago José Chaves
08/10/2013
00:25
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