Todos esses erros em que te vi, vi-te neles.
Toda a passada que te vi dar, deste-a.
Todo o movimento que te vi executar, executaste-o.
E nem pela medida mais pequena que possam encontrar, a medida do
que fizeste era mensurável.
Tão grande esse teu feito!
Tão grandes esses teus efeitos!
Tão desengonçadamente organizado e medido é esse teu jeito de
ser!
Tão delicioso é aproveitar a delícia da espontaneidade meticulosamente
calculada e medida!
Tão frágil te tornas deitado no chão.
Tão frio se torna esse chão que nem dá calor suficiente para que
possas apodrecer. Nem o tempo te dá tempo para te findares. Nem esse teu medo
de ti se quer alimentar.
Decerto te alimentam de muitas outras coisas. Daquelas que não
despendes… aquelas estratégias, que te levam a roubar um pouco daqui e dali e
te mostram diferente ali e aqui. E não só dessas coisas.
Essa basicidade não poderia ficar por aí, pois o básico
considerado por diferenciadas mentes de igualdades não se deixaria ser
excluído.
Tens que te alimentar!
Tens que repousar!
Tens que te dar para que te seja dado em troca, mas sempre sem dares
ponta de ti. Isso seria, decerto, pedir demais!
Todos esses preciosismos em que te escondeste e ninguém te quis
ver, eu vi-te neles.
Todos os arranjos que nem sabias arranjar, eu vi-te contornar.
Todas as mãos que tu querias para te ampararem, eu puxei-as para
que te amparassem.
Todas as vozes que te pronunciaram, souberam de ti pela minha
voz.
Todas as tuas mentiras, fui eu que as escrevi.
Tiago José Chaves
14/10/2013
00:18
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