Sinto
perda.
Se é que alguma vez houve ganho. Mas reafirmo: perco cada vez
mais.
Não quero complicar demais. As complicações são como uma silva. Basta
haver uma para que facilmente se multiplique e ramifique rapidamente. Basta lembrarmo-nos
que há uma complicação que agarramos com a mão, com força, um desses esguios
espinhosos ramos. E nem que doa, por mais que doa, havendo sangue, se for
preciso, até nos jogamos para cima delas.
Prefiro, a sentir uma dor verdadeira. Prefiro sentir que me dói
a picadela do espinho e que essa dor por pouco tempo se prolonga. Não por ser
curta ou menos dolorosa, mas sinto-a deveras e sei indicar onde dói.
Prefiro
essa que não se prolonga no nosso âmago como a que já tentámos agarrar com a
mesma mão com que firmemente segurámos os espinhos. Prefiro, a essa que nos
goza a cara por lhe sermos tão inferiores.
Parasita
dor.
Qual
mudança?
Qual
mudança tentais vós dar-me?
Qual
remédio vos convenço eu de tomar?
Qual
sedativo que a pare ou morte que nos separe?
Eu
vou deixá-la cá toda, ingrato como sou. Queiram-na como a quiserem, se é que a
querem. E perguntem-me a verdade que defendo. Responder-vos-ei que a procurem,
sendo do vosso interesse. Procurem-na com o mesmo fulgor com que a defendi, não
tendo mais eu cá para defender. Procurem-na melhor que da forma que pensais
agora procurá-la.
Ver-me
não chega.
Abrir-me
não chegará.
Ouvir-me
será pouco e ler-me será ainda mais confuso. Inconclusivo. Será uma
complicação.
Se
vo-la descrevesse, seria com o apelido de apêndice com o qual vou vivendo. Com o
qual vou morrendo, lentamente.
Morro
como se soubesse o que é. Não, não sei deveras. Mas não vos falarei de viver. Sei
menos ainda disso. Procurei vida, procurei gozo na felicidade que invocais,
ri-me dos vossos risos e piadas e comovi-me com o que vos comove. Consegui tudo
isso.
Cheguei
lá.
E
era vazio. Bem vazio. Bati nas paredes e só ouvi o oco que lá se multiplica. Multiplicando-se
por nada.
Julgavam
remediável?
Talvez
seja.
Mas
não hoje.
Tiago
José Chaves
16/10/2014
15:52
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